terça-feira, 14 de outubro de 2014

Passagem livre no exterior e nem tão livre assim no Brasil

 
Sessenta países percorridos de bicicleta e barrado na 407 Norte
Ele conheceu mais de sessenta países pedalando, mas foi bloqueado na saída na ciclovia da 407 norte, em Brasília. O encontro inusitado com Renato Campinho aconteceu alguns dias atrás quando eu parei para tirar fotos de um carro estacionado na saída da ciclovia. Quando ele parou com sua bicicleta paramentada em frente ao obstáculo, aquela seria a chance para fotografar um usuário. Curiosa com bandeira do Brasil fixada na traseira da bike, puxei conversa.  Eis que este não era, como eu, um ciclista comum, mas o piauiense que nos últimos nove anos percorreu mais de 200 mil quilômetros em andanças mundo afora sobre uma bicicleta.

Ele começou como maratonista, mas quando embarcou nas longas viagens de bicicleta (a propósito, esta já é a 16ª), tomou gosto. Sem patrocinador, mas com uma paixão contagiante, Campinho vai conseguindo pequenos apoios aqui e acolá em uma rede espontânea solidária que vai de embaixadas do Brasil nos países que visita, agências de turismo que o ajudam com as passagens até doadores ocasionais das duas latinhas-cofrinhos fixadas no guidão da bicicleta. Histórias dessas viagens encantam pela garra deste brasileiro para superar adversidades. Como a vez em que viajou 200 quilômetros sem beber água no deserto do Egito, contava ele, enquanto nós dois estávamos no meio da ciclovia em frente ao carro-empecilho e a chuva prestes a cair.


A persistência, ele usa como combustível para levar a mensagem ambiental cujas bandeiras são o uso da bicicleta como meio de transporte e o combate ao desmatamento. No Brasil, sua pátria, no entanto, não há caminho fácil para chegar até o condomínio onde está hospedado em Brasília. “Não me sinto seguro pedalando aqui. Você não encontra desrespeito como esse ao ciclista em outros países”, compara ao comentar nossa situação. Ele ficará pouco tempo por aqui. Em breve, embarca na sua próxima jornada em duas rodas agora rumo à Antártica.


Em tempo: Na volta para casa, tomei chuva. Mas, quer saber, valeu a pena.

Quer conhecer um pouco mais desse cidadão do mundo? Fiz uma entrevista super inspirada cuja gravação sumiu. Mas pode assistir uma matéria no Jornal Nacional que mostra um pouco das suas aventuras.


domingo, 1 de novembro de 2009

Impressões sobre Buenos Aires

Agrada-me essa cidade com tantos velhos. Tantas pessoas sábias que continuam suas atividades do dia a dia. Também esse certo orgulho argentino me agrada. Talvez seja uma outra perspectiva de algo que nós brasileiros fomos acostumados a criticar. Ele dá a eles uma certa altivez nitidamente perceptível a olhos atentos. Apesar de golpeados neste período de intensa crise econômica, eles continuam de cabeça erguida e firmes mesmo nas situações mais adversas.

Sem guias de bolso

Gosto muito de me perder nas ruas das cidades que não conheço. Essa é minha forma preferida de experimentar o novo. Ao acaso e inesperadamente, encontro tudo o que desejo e o que nem imaginava. Essa surpresa é que me fascina.

Talvez, por isso, não me interessem tanto os guias. Eles até podem estar comigo, mas entre ter a oportunidade de ouvir as informações de alguém e ler as instruções do livro, acabo sempre cedendo a tentação da primeira.

Gosto literalmente de me perder, falar com as pessoas, reencontrar o percurso "certo"e outros que, na maioria das vezes, se mostram ainda mais interessantes. Adoro falar com a gente do lugar e ouvir dela um pouco sobre si, mesmo que seja apenas como atendem a uma estranha para indicar uma rua e receber delas um cuidado que é genuinamente doação espontânea de atenção. Isso revigora em mim a crença nas pessoas, na bondade e na gentileza: remédio singelo para a descrença na humanidade.